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Discurso na Cerimônia de Abertura do Seminário "Brasil-China: Propostas para o Futuro"
2018/12/01
 

Excelentíssimo Embaixador Roberto Jaguaribe, Presidente da ApexBrasil,

Excelentíssimo Sr. José Pio Borges, Presidente do CEBRI,

Excelentíssimo Sr. Sarquis J.B. Sarquis, Vice-Presidente do NDB,

Excelentíssimo Sr. Jorge Arbache, Vice-Presidente do Development Bank of Latin America (CAF),

Excelentíssima Sra. Izabella Teixeira, Ex-Ministra do Meio Ambiente,

Excelentíssimo Sr. Embaixador José Alfredo Graça Lima, conselheiro do CEBRI,

Excelentíssimo Sr. Embaixador Rubens Ricupero, coordenador do CEBRI,

Senhoras e senhores, caros amigos,

Bom dia a todos. É com grande satisfação que participo deste seminário. Não há momento mais oportuno para um debate como este, que vem apresentar propostas para as relações sino-brasileiras ao novo governo prestes a tomar posse. Uma iniciativa conjunta da ApexBrasil, do CEBRI e do banco Santander.

Antes de mais nada, permitam-me aproveitar esta oportunidade para agradecer ao meu grande amigo, Embaixador Roberto Jaguaribe, e a todos os colegas que trabalham incansavelmente pelas relações China-Brasil. Agradeço ao Presidente José Pio Borges e aos amigos que torcem pela parceria bilateral. 

Um ditado chinês nos ensina que devemos lembrar da árvore ao saborear seus frutos, pensar na fonte ao beber sua água. A China e o Brasil estabeleceram relações diplomáticas no dia 15 de agosto de 1974. Em maio do ano seguinte, o primeiro embaixador chinês, Zhang Dequn, apresentou credenciais ao presidente Ernesto Geisel. Já em julho deste ano, ao se encontrar com o presidente Michel Temer, o presidente Xi Jinping apontou que os laços bilaterais se constroem na base dos princípios de respeito mútuo, igualdade e benefício recíproco e que China e Brasil dão um exemplo de maturidade e pujança nas relações entre dois grandes países em desenvolvimento. É uma árvore que recebeu contínuo cuidado de todos os governos de ambos os lados e uma fonte que se mantém viva graças aos esforços de pessoas de visão como os senhores. É por isso que durante esses 44 anos esta parceria alcançou êxitos extraordinários, estabelecendo um paradigma para a cooperação Sul-Sul. Agora estamos aqui em um novo ponto de partida para lidar com a nova conjuntura, trabalhar com novas agendas e inaugurar uma nova fase.

Na perspectiva global, estamos diante de uma nova conjuntura com transformações nunca vistas no último século. Pode-se dizer que é o melhor momento e, ao mesmo tempo, também o pior. Melhor por causa da ascensão irreversível do grupo de países em desenvolvimento, e pior porque certos países atacam com "fogo e fúria" a globalização econômica, tentando causar um retrocesso na construção de um sistema internacional mais justo, razoável e inclusivo.

No nível bilateral, a cooperação sino-brasileira encontra-se em uma nova fase de transformação e modernização. Durante os sete anos em que servi como embaixador no Brasil, chefes de Estado dos dois países trocaram visitas com frequência e apontaram a direção para o desenvolvimento das relações bilaterais. A cooperação econômica e comercial avança a passos largos de tal maneira que o comércio bilateral partiu dos US$ 87,5 bilhões do ano passado para chegar à casa dos US$ 100 bilhões, enquanto o estoque de investimento chinês no Brasil alcançou US$ 54 bilhões e as negociações financeiras também apresentaram tendências de crescimento. Entrou em operação o Fundo de Cooperação Brasil-China para a Expansão da Capacidade Produtiva com o aporte de US$ 20 bilhões, e as principais instituições financeiras e seguradoras da China já estão presentes no mercado brasileiro. A nossa parceria está caminhando para uma nova fase que envolve toda a cadeia produtiva, com mais valor agregado e maior teor tecnológico.

Sob o prisma nacional, o desenvolvimento dos dois países está diante de uma nova agenda. Este ano marca o 40º aniversário da política de Reforma e Abertura da China. Estamos trabalhando para levar a nossa abertura a um novo patamar. Em seu discurso na inauguração da primeira Feira Internacional de Importação da China, realizada há pouco tempo, o presidente Xi Jinping reafirmou que a China, ao invés de fechar suas portas para o mundo, estará cada vez mais aberta. Isso trará enormes oportunidades comerciais para o Brasil e todas as nações do mundo. Por outro lado, o novo governo brasileiro também está elaborando planos ambiciosos que visam promover as reformas econômicas e alçancar a prosperidade, melhorando o ambiente de negócios e fortalecendo a competitividade econômica.

Senhoras e senhores, caros amigos,

Em um novo cenário, com oportunidades e desafios sem precedentes, cabe a nós encontrar meios de consolidar a base da nossa Parceria Estratégica Global, levar adiante a transformação e a modernização da nossa parceria e ajudar os dois países a cumprir suas respectivas agendas de desenvolvimento. Sou optimista e tenho toda confiança de que vamos encontrar essas respostas. Se olharmos para a jornada inesquecível das relações bilaterais desde o estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e o Brasil, veremos que o relacionamento bilateral nunca parou, nem nos anos da Guerra Fria, com o confronto bipolar, nem nos tempos do fim desse sistema e das grandes mudanças na conjuntura internacional. O futuro se espelha no passado. Portanto, o relacionamento bilateral não pode nem vai parar, independentemente do que acontece no mundo. Pouco tempo atrás, no meu encontro com o sr. Jair Bolsonaro, o presidente eleito afirmou que o Brasil dá grande importância a suas relações com a China e considera o país asiático um grande parceiro. Olhando para o futuro, espero que os dois países possam continuar a consolidar e desenvolver a Parceria Estratégica Global em três aspectos.

Primeiro, somos parceiros nos assuntos da governança global para construir uma ordem interncional mais inclusiva e proveitosa para todos. Respeitamos a estratégia de desenvolvimento escolhida pelo Brasil como um país de influência global. A parceria China-Brasil, as maiores nações emergentes dos hemisférios Oriental e Ocidental, tem uma relevância mundial e um alto grau de inclusão. Devemos reforçar nossas coordenações e concertação em mecanismos como BRICS, Fórum China-CELAC, G20, OMC e ONU. Aproveitando que o Brasil assume a presidência do BRICS no ano que vem, vamos alinhar nossas posições sobre as principais questões internacionais e regionais, combater o protecionismo, defender o processo de globalização e conduzir a ordem internacional para uma direção favorável aos países em desenvolvimento.

Segundo, somos parceiros estratégicos que se pautam pelo respeito mútuo e pela confiança recíproca para consolidar e levar adiante as nossas relações. Há décadas, o respeito, a boa-fé e a amizade têm sido as pedras fundamentais para o crescimento sustentado da nossa parceria. Precisamos manter e fortalecer os frequentes intercâmbios de alto nível para ensejar uma conversa mais profunda sobre importantes agendas bilaterais de interesse comum, com o objetivo de expandir o entendimento dos respectivos conceitos de desenvolvimento e dos interesses centrais, reforçar a confiança mútua estratégica e estabelecer uma sólida base para as relações bilaterais. Devemos realizar, o quanto antes, uma feliz transição da COSBAN a fim de providenciar orientação de alto nível e apoio institucional para traçar planos para a cooperação em todas as áreas.

Terceiro, como parceiros de desenvolvimento orientados para o benefício mútuo e voltados para o futuro, vamos criando uma "versão atualizada" da nossa parceria. O desenvolvimento é a prioridade maior para os dois países. A iniciativa "Um Cinturão, Uma Rota", apresentada pela China, abrange uma extensa gama de itens como a conexão de políticas, infraestrutura, comércio e financiamento, bem como o entendimento entre os povos, e está empenhada em construir a mais ampla plataforma de cooperação internacional para a prosperidade comum. A iniciativa está em harmonia com as ideias do novo governo brasileiro para alavancar o crescimento com mais investimento, aprimorar o ambiente de negócios com melhor infraestrutura e aumentar a competitividade com inovação tecnológica. Nossos dois países devem avançar de mãos dadas, fortalecer a sintonia entre a iniciativa "Um Cinturão, Uma Rota" e a estratégia de desenvolvimento do Brasil, promover a grande conexão de infraestrutura, a grande circulação de bens e capital, e a grande inovação na área de alta tecnologia, realizando, com isso, saltos qualitativos das nossas relações.

Senhoras e senhores, caros amigos,

China e Brasil são dois grandes países e parceiros mutuamente indispensáveis. Entre as duas nações, não há conflito histórico, mas sim mais de dois séculos de intercâmbios amistosos; não há disputa ideológica, mas uma convivência respeitosa e harmoniosa entre as duas nações; não há jogo geopolítico, mas uma cooperação frutífera em benefício dos dois povos. Tenho plena convicção e confiança de que o futuro destas relações é cada vez mais promissor!

Para finalizar, desejo que o seminário seja um grande sucesso. Obrigado a todos!  

 

 

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