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Discurso na Abertura do Seminário Brasil-China
2018/09/11
 

Excelentíssimo Senhor Ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes,

Excelentíssimo Senhor Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi,

Excelentíssimo Senhor Presidente da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe,

Senhoras, Senhores, Meus Amigos,

 

Bom dia a todos! Tenho muita alegria em participar da primeira edição do Seminário Brasil-China realizada pela Folha de São Paulo. O atual seminário tem em foco os temas na vanguarda na cooperação China-Brasil, como a diversificação do comércio, investimento e inovação, capturando nitidamente a tendência de transformação dessa cooperação, o que reflete a visão de futuro e introspecção da Folha, um jornal que se qualifica "Líder de Mídia no Brasil". A presença do Senhor Chanceler Aloysio Nunes e do Senhor Ministro Blairo Maggi demonstra mais uma vez a alta importância dada pelo governo brasileiro para a cooperação China-Brasil. Gostaria de agradecer em particular a APEX-Brasil pelo patrocínio neste seminário.

 

No encontro bilateral com o presidente Michel Temer durante a última Cúpula do BRICS em Joanesburgo, o presidente chinês Xi Jinping afirmou que as relações sino-brasileiras são um relacionamento entre dois grandes países em desenvolvimento, caracterizado pela sua maturidade e dinâmica. No meu entendimento, essas palavras-chaves, nomeadamente "maturidade", "dinâmica" e "relacionamento entre grandes países em desenvolvimento", constituem a alta avaliação e definição precisa para as relações entre China e Brasil.

 

A "Dinâmica" se reflete no aumento contínuo tanto da quantidade, como da qualidade da nossa cooperação. O comércio sino-brasileiro tem se mantido em um alto nível. No ano passado, o volume do comércio cresceu quase 30%, atingindo 87,5 bilhões de dólares americanos. No primeiro semestre do ano corrente, o comércio já cresceu perto de 25%, atingindo quase 52 bilhões de dólares americanos. A cooperação de investimentos se tornou um novo ímpeto das relações sino-brasileiras. Segundo as estatísticas brasileiras, o investimento chinês no Brasil atinge um novo nível a cada ano e o estoque atual já superou 55 bilhões de dólares americanos, sendo uma das maiores fontes de investimento estrangeiro do Brasil. Gerou empregos e receitas em grande escala e foi acolhido amplamente pelo governo, empresas e o povo brasileiro. Mais de 200 empresas chinesas vieram a investir e fazer negócios no Brasil, inclusive muitas das 500 maiores empresas do mundo. Em particular, registra-se no comércio e o investimento China-Brasil uma ascensão na cadeia de valor e tecnologia. Cada vez mais produtos brasileiros de elevado valor agregado entram no mercado chinês, enquanto mais investimentos chineses se dirigem às áreas de alta-tecnologia no Brasil, tais como novas energias, cidade inteligente e indústria automobilística.

 

A "Maturidade" se reflete na maior entrosamento das estratégias de desenvolvimento China-Brasil. À medida da expanção da nossa cooperação, será necessário um roteiro de cooperação ainda mais ambicioso e previsível, para que haja um novo salto nesta cooperação entre os dois países. A Iniciativa "Um Cinturão, Uma Rota" oferece a melhor plataforma para isso. Os líderes da China e do Brasil reiteraram em muitas ocasiões o reforço da acoplagem da Iniciativa "Um Cinturão, Uma Rota" com o plano de desenvolvimento do Brasil. A cooperação entre os dois lados desempenha um papel pioneiro na infraestrutura e capacidade produtiva.

 

Na área de conectividade de infra-estruturas, constatamos no Nordeste do Brasil, o lançamento do projeto do Porto São Luís, investido pela empresa chinesa; no Centro, o avanço do projeto da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol), com participação do consórcio formado pelas empresas chinesas; no Sudeste, a expansão do porto de Paranaguá, com investimento da empresa chinesa. Pode-se dizer que a cooperação China-Brasil na infraestrutura contribui para ligar o norte ao sul, o leste ao oeste, ajudando a construir uma rede de interconexão no Brasil que olha também para o exterior.

 

Na área de cooperação da capacidade produtiva, o Fundo de Cooperação Brasil-China para a Expansão da Capacidade Produtiva (FUNDO) com US $ 20 bilhões foi lançado com sucesso e está na fase de seleção de projetos. China e Brasil podem aproveitar o fundo para atrair mais recursos para a cooperação produtiva, podem construir juntamente parques industriais, a fim de garantir investimentos estáveis de longo prazo na cooperação sino-brasileira e alcançar a transformação e atualização da cooperação China-Brasil.

 

"Relacionamento entre grandes países em desenvolvimento" se refere à magnitude da cooperação China-Brasil e suas características de cooperação Sul-Sul. Atualmente, o sistema internacional está enfrentando grande mudança, a política de força está em ascensão, o multilateralismo fica frustrado e o ambiente externo se tornou cada vez mais severo para o desenvolvimento dos países em desenvolvimento. China e Brasil são respetivamente os maiores países emergentes do hemisfério leste e oeste. Sendo um país grande, precisa-se de um estilo grande, com visão mais ampla, compromissos maiores, e responsabilidade internacional maior. China e Brasil não apenas promovem ativamente o crescimento de alta qualidade de comércio e investimento a nível bilateral, como também trabalham com outros países do BRICS para aderir firmemente ao multilateralismo, fortalecendo plenamente o sistema multilateral de comércio e instituições multilaterais da governança global. Ao mesmo tempo, através do Fórum China-CELAC e "BRIC +", os dois países construíram uma rede de parcerias estreitas de cooperação Sul-Sul, contribuindo mais energia positiva para a prosperidade regional e mundial.

 

Com protecionismo em ascensão, a China realizará a primeira Expo Internacional de Importação em novembro próximo, abrindo proativamente seu mercado para o mundo. O Brasil participará como país homenageado de honra. O mercado chinês é imenso. A demanda doméstica já se tornou a principal força motriz do crescimento econômico, com consumo cada vez mais diversificado. Serão bem acolhidos os produtos brasileiros de alto valor agregado. Espero que todos os setores brasileiros descubram as demandas do mercado chinês através da Expo e forneçam mais produtos competitivos. Isso não apenas contribui para a entrada de mais produtos brasileiros de alto valor agregado no mercado chinês, como também demonstrará a determinação dos dois países em defender a liberalização e facilitação do comércio, bem como a promoção de uma economia mundial aberta.

 

Senhoras e Senhores, Amigos

 

No desdobramento da nova rodada de revolução científica-tecnológica, pode-se dizer que o foco na inovação significa o foco no desenvolvimento, e a busca pela cooperação inovadora significa a busca pelo futuro das relações China-Brasil. Nesse momento, a China está promovendo vigorosamente o desenvolvimento impulsionado pela inovação. O Brasil introduziu a estratégia da Quarta Revolução Industrial(Indústria 4.0), fornecendo assim mais pontos de convergência para a cooperação inovadora entre os dois países, injetando um novo impulso na Parceria Estratégica Global China-Brasil. Já foram estabelecidos Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para Energia e laboratórios conjuntos de Clima Espacial, de Nanotecnologia, e de Ciências Agrárias, entre outros. A empresa chinesa State Grid e Eletrobras, com o uso de tecnologia de transmissão de Ultra Alta Tensão mais avançada do mundo, construíram em conjunto o empreendimento de Transmissão em Ultra-Alta Tensão de Belo Monte, atendendo às necessidades do desenvolvimento econômico da região e à demanda energética de dezenas milhões de pessoas. A produção conjunta do ônibus elétrico pela empresa chinesa BYD e Marco Polo, trouxeram novas tecnologias verdes para o transporte público brasileiro. Os dois países acabaram de celebrar o 30º aniversário da Cooperação no programa de Satélites de recursos terrestres (Cbers), e foi assinado há pouco tempo um memorando de entendimento para cooperação na área de tecnologias da informação e comunicações (TICs), cobrindo áreas de ponta como internet móvel 5G, big data e Internet das Coisas. Os dois países lançaram junto com outros países do BRICS a Parceria de Nova Revolução Industrial (PartNIR), com vistas a reforçar a cooperação de alta tecnologia. Todos estes exemplos indicam que China e Brasil têm grande potencial na aprendizagem mútua em inovação e ciência e tecnologia.

 

Senhor Chanceler Aloysio Nunes,

Senhor Ministro Blairo Maggi,

Senhoras e Senhores, Amigos

 

Um verso clássico chinês diz, "o vasto mar toma o céu como costa e, quando se sobe uma montanha, a pessoa será o pico mais alto." Acredito que com o forte apoio dos dois governos e os nossos esforços em conjunto, a relação China-Brasil terá um futuro ainda mais próspero e alcancará novos patamares.

 

Obrigado a todos!

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