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O Embaixador Li Jinzhang publicou artigo sobre Fricções Comerciais
2018/03/30

No dia 29 de março de 2018, o Embaixador Li Jinzhang publicou no jornal Folha de São Paulo o artigo intitulado " A Guerra Comercial não tem Vencedor". Veja a íntegra do texto completo.

 

Recentemente, o comércio internacional tem sido bastante nublado. Os EUA tentou sobretaxar aço e alumínio sob a alegação de "segurança nacional" e logo a seguir, acenou com medidas restritivas contra pordutos chineses sob o pretexto de propriedade intelectual. Ao caprichar o "big stick" (grande porrete), a sua política de protecionismo comercial está provocando forte espanto e preocupação na sociedade internacional.

 

O protecionismo comercial ameaça abalar a base do sistema internacional do comércio. Sem regra,sem jogo. O desenvolvimento acelerado do comércio internacional nos últimos anos, que trouxe enormes benefícios a todos os países, é, em grande parte, explicado pelo bom funcionamento do sistema multilateral de comércio baseado em regras. Ora restringir importação em nome da tal "segurança nacional", ora ressuscitar a seção 301 de Trade Act de 1974, são práticas unilateralistas que desprezam as regras da OMC e ignoram as regras básicas e o espírito do comércio internacional. Se todos os grande países simplesmente abandonassem as regras internacionais e se recorressem facilmente a investigação unilateral, elevassem tarifas sempre de acordo com as suas próprias conveniências, não seria provável que o comércio internacional passasse a reger-se pela "lei da selva"? Como disse o diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, a ação unilateral pode levar a guerras comerciais, onde não há vencedores.

 

O protecionismo comercial já se tornou num fator crítico que possa desencadear riscos na economia global. Ao rever a história da economia mundial desde a Grande Depressão, podemos ver que o comércio é como o sangue da economia que afeta diretamente a sua saúde. Vivemos agora uma onda de protecionismo comercial com toda a força. Se a comunidade internacional cruzar os braços perante essa "contracorrente", a barragem das regras do comércio internacional entrará em colapso, e os flagelos da guerra comercial poderão esmagar as cadeias industriais e de valor, prejudicando a recuperação da economia global. Recordando os mais de cem investigações sob a seção 301 iniciadas pelos Estados Unidos desde os 1970s, podemos ver que todos os países, incluindo a China e o Brasil, foram vitimizados.

 

Embora haja um grande déficit comercial dos EUA com a China, deve-se notar que isso é determinado, por um lado, pela divisão do trabalho dos dois países no sistema global de comércio e, por outro lado, pela globalização industrial. O protecionismo comercial unilateral atira em si mesmo e nos outros. A China está comprometida a solucionar as divergências e fricções do comércio por diálogo e negociações, e a porta está sempre aberta. Ao mesmo tempo, a China também tem confiança e capacidade para salvaguardar seus direitos e interesses legítimos. A porta da abertura chinesa não será fechada, mas sim cada vez maior. Um exemplo disso é a primeira Exposição Internacional de Importação da China que será realizada em Shanghai em novembro. A iniciativa voluntária abrirá ainda mais o grande mercado de 1,3 bilhão de pessoas para o mundo, mostrando nossa forte determinação em apoiar a liberalização do comércio e a globalização econômica.

 

Sendo os maiores países emergentes respectivamente dos hemisférios oriental e ocidental, a China e o Brasil são ambos beneficiários de livre comércio e defensores firmes do sistema multilateral de comércio. No ano passado, o volume comercial entre a China e o Brasil aumentou cerca de 30%, atingindo 87,5 bilhões de dólares, que injetou vigor para o crescimento econômico dos dois países. Perante as crescentes ameaças de fricção comercial internacional, a China está disposta a trabalhar junto com o Brasil e outros países que valorizem os mesmos ideais e sigam os mesmos caminhos para se oporem conjuntamente ao protecionismo comercial, a fim de manter o sistema multilateral de comércio e promover o desenvolvimento dos dois países e do mundo em geral.

 

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