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O Embaixador Li Jinzhang Concedeu Entrevistra sobre a Cooperação Pragmática entre China e Brasil
2017/07/14
 

Nos últimos dias, o Embaixador Li Jinzhang concedeu uma entrevista ao Estadão, respondendo perguntas sobre a cooperação pragmática entre China e Brasil. Veja a íntegra da entrevista:

 

1.Que posição o Brasil ocupa no investimento no exterior da China?

O investimento chinês no Brasil está crescendo rápido e, hoje, totaliza US$ 40 bilhões. Tanto no fluxo como no estoque, o Brasil é um dos principais destinos de investimento da China no exterior, sobretudo entre os mercados emergentes. Vale lembrar, também, que esse investimento vem subindo na cadeia de produção para manufatura de ponta, energias limpas e tecnologia da informação. Enquanto isso, é cada vez sólido o apoio financeiro dado a essa cooperação. Pouco tempo atrás, foi lançado o Fundo de Cooperação para a Expansão da Capacidade Produtiva Brasil-China, com aporte de US$ 20 bilhões. Além de dar novas oportunidades para a cooperação bilateral, a criação desse fundo é um sinal da confiança que a China deposita no desenvolvimento brasileiro. Os dois países devem estabelecer um paradigma de cooperação para as economias emergentes.

 

2.As empresas chineses tornaram-se os principais investidores na geração e transmissão de energia no Brasil. O governo brasileiro também pretende leiloar empresas de distribuição, as empresas chinesas têm interesse nisso?

A cooperação bilateral no setor de energia elétrica teve um crescimento notável. Empresas chinesas como a CTG e a CGGC estão aumentando sua capacidade instalada em operação e a State Grid trouxe ao Brasil a tecnologia mais avançada do mundo em transmissão de energia em ultra-alta tensão, além de suas experiências de gestão. Adquiriu recentemente ativos da CPFL, o que amplicou seus negócios para a área de distribução e novas energias. Tendo em conta que a integração da cadeia de produção que abrange desde a geração e a transmissão até a distribução ajuda a melhorar a eficiência energética, otimizar a disposição e formar uma sinergia, acredito que empresas chinesas devam avançar na área de distribuição, atendendo a demanda do mercado brasileiro e atuando conforme as regras comerciais.

 

3.Em que projetos a China está interessada nos setores de ferrovias (transoceânica, Norte-Sul e FIOL), rodovias, aeroportos, portos, mineração? Como vai concretizar essas intenções de investimento?

Para alavancar o crescimento econômico, o governo brasileiro lançou o Programa de Parceria de Investimentos, com foco na infraestrutura. Em termos de construção de infraestrutura, empresas chinesas possuem tecnologia avançada, rico know-how e capital abundante. A cooperação entre os dois países beneficiará a formação de um sistema integrado de logística no Brasil para fomentar a economia. No que diz respeito a projetos específicos como as ferrovias transoceânica, Norte-Sul e FIOL, o lado chinês incentiva as empresas que levam em consideração o plano de desenvolvimento da infra-estrutura e participam desse processo sobre a base de estudos de viabilidade e a orientação do mercado, através da formação de consórcios e renovação dos mecanismos de financiamento. O recém-lançado Fundo bilateral e o Fundo de Cooperação Chinês para Investimento na América Latina (Claifund) com aporte de US$ 30 bilhões darão o suporte de financiamento.

 

4.A China está interessada nos leilões de petróleo deste ano?

Nos últimos anos, o Brasil está se consolidando como fornecedor de energia para a China, de maneira que as vendas de petróleo bruto brasileiro registraram o aumento mais acelerado dentre todos os fornecedores. Segundo estatísticas, entre janeiro e maio, o Brasil exportou US$ 4,72 bilhões de petróleo para a China, uma alta de 104% sobre o mesmo período do ano passado. Nesse contexto, a China atribui grande importância ao estabelecimento de parceria estável com o Brasil nesse quesito e está disposta a participar da prospecção e exploração de campos petrolíferos do Brasil através de investimento direto e do mecanismo "petróleo por empréstimo". Acredito que as medidas que visam afrouxar as restrições do setor e atrair mais investimentos estrangeiros chamarão mais atenção de empresas chinesas na hora de desenvolver uma cooperação mais abrangente de toda a cadeia de produção de petróleo e gás.

 

5.As empresas chinesas planejam entrar no setor de produção e processamento de alimentos do Brasil?

A China é o maior destino de exportação de produtos agrícolas do Brasil, que lidera a venda de soja e carne de aves para o país asiático. Os desembarques de café e açúcar também estão em alta. A cooperação de investimento em agronegócio está em ascensão.

Há uma grande complementaridade nesse setor entre os dois países. Haverá na China um déficit de produtos como soja, algodão, óleo comestível, milho, açúcar, laticínios e aves, enquanto o Brasil é o principal produtores desses itens com um fornecimento estável. Com o avanço das reformas agrária no lado de oferta, empresas chinesas vão priorizar a integração dos mercados e recursos nacionais e internacionais, cultivando melhor o agronegócio brasileiro. Vão desenvolver formas diversas de cooperação que cobrem as etapas de produção, aquisição, beneficiamento e logística, focando em áreas altamente complementares para casar de forma mais eficaz a produção e a demanda, conquistando um maior desenvolvimento da cooperação agrícola bilateral.

 

6.A crise política do Brasil afeta diretamente o crescimento da economia, isso tem impacto sobre os interesses chineses no Brasil?

Nesse momento, o crescimento econômico do Brasil enfrenta alguns desafios. Porém, graças aos esforços conjuntos dos dois países, as relações bilaterais mantêm a estabilidade e o avanço, com resultados frutíferos em áreas como política, economia e comércio, investimento e finanças.

O Brasil possui uma vasta extensão territorial, uma economia de grande escala e resiliência, um quadro jurídico completo e uma boa tendência para o desenvolvimento de médio e longo prazo. Em nossa conversa, muitos empresários chineses com negócios neste país disseram que as dificuldades que o Brasil enfrenta são efêmeras e ocasionais. Com uma visão de longo prazo, eles continuam vendo com bons olhos as oportunidades de investimento no país e vão permanecer aqui, junto com os brasileiros, para receber um novo ciclo de prosperidade quando a crise terminar.  

 

7.Para as empresas chinesas é um problema o aumento de custo de investimento por causa das legislações trabalhista e ambiental. Como se adaptam?

O governo chinês sempre exige que, ao investir no exterior, as empresas chinesas cumpram rigorosamente as leis locais, incluindo as legislações trabalhistas e ambientais. As mais 200 empresas de investimento chinês no Brasil estão implementando cada vez mais a estratégia de localização da gestão, pesquisa e desenvolvimento, produção e aquisição, criando mais oportunidades de trabalho para o povo brasileiro. Por exemplo, mais de 80% dos funcionários da Huawei Brasil são locais, sendo a subsidiária com maior taxa de localização entre todas as unidades do mundo.

O conceito de crescimento "verde" é cada vez mais aceito na China, e a proteção do meio ambiente já é uma atitude consciente das empresas chinesas com visão de longo prazo no desenvolvimento de negócios no Brasil. A COFCO, por exemplo, define claramente a responsabilidade pelo desenvolvimento sustentável no seu processo de compra de soja e não compra, não comercializa e não financia grãos produzidos com o prejuízo da Amazônia Legal. Vale lembrar que, com a nova etapa das cooperações pragmáticas entre os dois países, o desenvolvimento verde alcançou resultados significativos. Recentemente, a BYD inaugurou em Campinas sua fábrica de painéis fotovoltaicos, introduzindo tecnologia avançada de energia limpa. Um projeto que, além de ambientalmente amigável, também criou mais de 300 postos de emprego para a população local.

Paralelamente a isso, os dois governos estão trabalhando para melhorar o ambiente de negócios, oferecendo medidas de incentivos fiscais, simplificação de trâmites administrativos e a facilitação de vistos para empresários e pessoal técnico. Também estamos negociando acordos de facilitação de investimento para reduzir o custo e aumentar a eficiência das empresas.

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